quinta-feira, 10 de julho de 2014

Resenha do livro - Viagem Solitária – Memórias de um Transexual Trinta Anos Depois

A obra publicada pela editora LeYa no ano de 2011 conta a história de João W. Nery, o primeiro transexual que se teve notícia no Brasil.

                                   
Há narrativas de sua infância triste e confusa em que é tratado como menina, a adolescência conturbada que há o início da “monstruação” – termo utilizado pelo autor para descrever a menstruação, crescimentos dos seios, o processo de afirmação de sua verdadeira identidade de gênero e a paternidade.
                                   

Em sua vida como Joana era formada em Psicologia pela UFRJ, pôde lecionar em universidades e atuar em seu consultório psicológico. Quando assumiu a sua identidade masculina devido àquela época não haver como modificar o nome de registro e sexo nos documentos, teve refazer a sua documentação e com isso teve de reiniciar a sua vida.

                               
Como João teve um emprego como taxista, que lhe deu certa independência financeira e a possibilidade de sustentar e manter o primeiro casamento com uma mulher, a busca por ser reconhecido e desejado como homem, inclusive perante sua família, embora ainda vivesse no corpo feminino.

Relata a verdadeira epopeia percorrida por João a fim de se obter laudos que lhe permitisse realizar a cirurgia de readequação de sexo.  Quando finalmente em 1977 em plena ditadura militar se submeteu à primeira cirurgia de mudança de sexo. Naquela época, as clínicas e os hospitais ainda não estavam liberados para fazer esse tipo de cirurgia, e os médicos que se propunham a realizá-las eram considerados mutiladores, a ponto do médico que operou o João chegar a ser indiciado – e condenado a dois anos de prisão – por lesão corporal por uma mesma cirurgia de mudança de sexo em uma mulher trans, feita em 1971.

O livro descreve a dor sofrida por João ao ser traído pela mulher amada e dessa infidelidade resulta uma gravidez. Ele não só não supera o fato como também assume a paternidade da criança e desenvolve uma relação de amor e devoção a esse novo ser.

João vivencia o auge da paternidade ao participar dos momentos cotidianos no desenvolvimento de seu filho.

A leitura da obra traz as seguintes reflexões se identidade de gênero partisse do principio de ser uma opção, então quem em sã consciência escolheria ter o psicológico oposto ao seu sexo biológico para sofrer de todo o tipo de discriminação existente a transexualidade, quando a mesma ainda é confundida com orientação sexual.

O que poderia ser feito para a medicina poderia auxiliar melhor a qualidade de vida de transexuais em todo o mundo?

Como a educação poderia e deveria auxiliar a sociedade a compreender o que é transexualidade para assim eliminar os preconceitos existentes?

A obra é tecida por dor e coragem. A mensagem que fica é a de que os ditos diferentes podem e devem lutar para encontrar o seu lugar nesse mundo mesmo que no decorrer desse caminho haja muitas adversidades!


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Espero que tenham gostado. Em breve novas resenhas!










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